Seu cachorro é daqueles que come fezes? A coprofagia, nome dado ao ato de comer cocô, parece bastante nojenta, mas saiba que para os cães (e para os lobos) esse hábito não é tão bizarro assim. Os dois predadores, que compartilham a mesma origem ancestral, são bastante atraídos por carniças. Por isso, é comum ver um cachorro mexendo no lixo atrás de comida ou querendo brincar um bicho morto.

Mas são muitos os fatores que levam à coprofagia. Um cachorro que come fezes pode desenvolver o hábito por razões comportamentais, como o tédio, mas também existem diversos problemas médicos que podem causar ou contribuir para a coprofagia canina.

Causas da coprofagia

Conheça as principais causas da coprofagia canina.

Cachorro que come fezes por problemas de digestão 

Um dos problemas que podem levar à coprofagia é a má absorção dos nutrientes. Ela faz com que grande parte do alimento passe pelo trato digestivo sem ser absorvida e saia pelas fezes. Há casos ainda de dieta pobre em nutrientes e/ou calorias, desnutrição e até fome persistente.

A presença de vermes no intestino também pode resultar em um cachorro que come fezes. O animal faz isso para recuperar aqueles nutrientes que foram ingeridos por esses parasitas.

Em geral, nessas situações, o cachorro que come fezes está à procura de:

– Fibras;

– Nutrientes que foram perdidos por má absorção ou por dieta de baixa qualidade;

– Calorias (quando acontece de o cachorro ter a necessidade de ingerir mais calorias do que consome);

– Bactérias intestinais que fazem bem à saúde do animal.

Cães que compartilham o pote de comida podem estar passando fome, já que há sempre o risco de o animal mais dominante privar o outro de comida. O cachorro pode recorrer ao cocô como uma forma de suprir a carência nutricional.

Doenças que podem causar a coprofagia

A coprofagia canina pode estar ainda relacionada com algumas doenças, muitas vezes porque elas aumentam o apetite dos animais. Nesses casos, o pet recorre ao cocô também para suprir a fome maior do que o normal. Veja algumas delas:

– Diabetes;

– Cushing (ou hiperadrenocorticismo);

– Problemas de tireoide;

– Gastrite.

Cachorro que come fezes de gatos

Alguns cachorros que comem cocô adoram comer as fezes de gatos. Isso acontece porque a ração dos felinos, geralmente, é mais saborosa e mais proteica. O resultado são fezes mais apetitosas (eca!).

Para evitar que a coprofagia vire hábito, limpe com frequência a caixa de areia dos gatos e invista em uma alimentação de qualidade para o seu cachorro.

Coprofagia comportamental

Apesar das doenças que podem causar ou contribuir para a coprofagia, a maioria dos cachorros que comem cocô apresenta algum problema de comportamento ou está estressado. Eles fazem isso para chamar a atenção dos donos ou porque estão entediados.

Os desvios comportamentais mais comuns relacionados à coprofagia canina são:

– Isolamento: cães que ficam sozinhos por muito tempo são mais suscetíveis ao hábito;

– Confinamento: ficar muito tempo trancado em um espaço pequeno pode levar ao problema. É muito comum observar esse comportamento em cães que foram resgatados de abrigos;

– Ansiedade: NUNCA esfregue o nariz do seu cão no cocô ou perto dele para ensiná-lo a fazer sua sujeirinha no local correto. Esse método não é eficaz. Na cabeça do cachorro, significa que ele precisa sumir com o cocô que acabou de fazer (no caso, comendo) — do contrário vai levar bronca;

– Tédio: cães que se exercitam (física e mentalmente) menos do que deveriam tendem a ficar entediados e podem começar a comer fezes;

– Chamar atenção: sempre que comem cocô eles conseguem algum tipo de atenção nossa, mesmo que negativa. Quando ele fizer isso, procure não exagerar na reação;

– Associação inapropriada: alguns cães que se alimentam perto do local onde fazem cocô podem associar as fezes com comida, já que os cheiros ficam todos ali misturados.

Como evitar a coprofagia canina

Agora que você já sabe quais os motivos que levam à coprofagia, como acabar com o hábito do seu peludo?

Se o caso do cachorro que come fezes for um problema de comportamento ou estresse, você pode conseguir ajuda com um bom adestrador. Juntos, vocês conseguirão identificar e modificar o que está acontecendo de forma incorreta – e, se possível, aumentar a quantidade de atividade física diária do seu peludo.

Mas se a coprofagia tem origem em alguma doença, o melhor a fazer é conversar e explicar tudo a um veterinário. Existem alguns produtos que podem ajudar, como os suplementos de probióticos, prebióticos, fibras, vitaminas e de enzimas digestivas. É fundamental, no entanto, que seu cachorro seja avaliado por um profissional e faça alguns exames.

Mudar a dieta pode resolver a coprofagia

A alimentação de qualidade é essencial para combater e prevenir a coprofagia. Evite fornecer rações muito baratas. Geralmente, elas possuem excesso de carboidratos e contêm proteínas de baixa qualidade na sua composição (que não serão bem aproveitadas e vão direto para as fezes). Juntas, essas duas características fazem o cocô ficar bem apetitoso para o cão e estimulam o hábito.

Uma boa opção ainda para evitar que o cachorro coma cocô é a alimentação natural crua com ossos. Essa dieta tem excelente digestibilidade. O resultado é um cocô seco, com pouco volume e sem cheiro. Ou seja, não desperta interesse no cachorro. Mas é fundamental que você converse com um veterinário antes de fazer a troca da dieta, para garantir que todos os alimentos escolhidos são apropriados e nada vai prejudicar a saúde do peludo.

Coprofagia faz mal?

A coprofagia não é um hábito agradável para nós, mas também não deve ser motivo para desespero. Por si só, comer cocô não é prejudicial. Mas é possível que alguns micro-organismos, como vírus, bactérias e parasitas, sejam ingeridos quando o animal come os dejetos. E, dessa forma, o cachorro com coprofagia canina pode estar se reinfectando ou até adquirindo uma nova doença.

Mas, se o cão está livre de doenças infecciosas, é acompanhado por um veterinário e faz controle parasitológico de fezes com frequência, os riscos de recontaminação são mínimos. No caso de fezes alheias, se o cachorro que produziu as fezes é saudável e não possui parasitas e/ou outras doenças, também não oferece risco.

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