Ele come cocô porque está doente? Quais os riscos para a saúde? O que faço se ele comer cocô de outros cachorros? Tire as suas dúvidas!

Por Aretha Yarak
Especial para DogHero

Sabia que alguns cachorros comem cocô? Parece bastante nojento, não é mesmo? Mas saiba que para eles (e para os lobos) esse hábito não é tão bizarro assim. Os dois predadores, que compartilham a mesma origem ancestral, são bastante atraídos por carniças. Por isso, é comum ver um cachorro mexendo no lixo atrás de comida ou querendo brincar com um bicho morto.

Mas são muitos os fatores que levam um cão a (eca!) comer cocô. Embora a maior parte dos casos tenha um fundo comportamental, como o tédio, existem diversos problemas médicos que podem causar ou contribuir para a coprofagia – como é chamado o ato de comer cocô.

Problemas de digestão

A má absorção dos nutrientes faz com que grande parte do alimento passe pelo trato digestivo sem ser absorvida e saia pelas fezes. Há casos ainda de dietas pobres em nutrientes e/ou calorias, desnutrição e até fome persistente.

A presença de vermes no intestino também pode fazer com que o cachorro coma cocô para recuperar aqueles nutrientes que foram ingeridos por esses parasitas. Em geral, nessas situações, o cachorro come cocô porque está à procura de:

– Fibras;

– Nutrientes que foram perdidos por má absorção ou por dieta de baixa qualidade;

– Calorias (quando acontece de o cachorro ter a necessidade de ingerir mais calorias do que consome);

– Bactérias intestinais que fazem bem à saúde do animal.

A coprofagia pode estar ainda relacionada com algumas doenças, tais como diabetes, Cushing (ou hiperadrenocorticismo), problemas de tireoide, gastrite, além de outras condições que podem levar ao aumento do apetite.

Cães que compartilham o pote de comida podem estar passando fome, já que há sempre o risco do animal mais dominante privar o submisso de comida. Eles acabam recorrendo ao cocô como uma forma de suprir a carência nutricional.

Gatos

Alguns cães adoram comer cocô de gato. Isso acontece porque a ração dos felinos, geralmente, é mais saborosa e mais proteica. O resultado são fezes mais apetitosas.

Para evitar esse hábito, limpe com frequência a caixa de areia dos gatos e invista em uma alimentação de qualidade para o seu cãozinho.

Comportamento

A maioria dos cachorros que come cocô, entretanto, apresentam algum probleminha de comportamento ou estão estressados. Em geral, eles fazem isso para chamar sua atenção ou porque estão entediados.

Os desvios comportamentais mais comuns são:

Isolamento: cães que ficam sozinhos por muito tempo são mais suscetíveis ao hábito;

Confinamento: ficar muito tempo trancado em um espaço pequeno pode levar ao problema. É muito comum observar esse comportamento em cães que foram resgatados de abrigos;

Ansiedade: NUNCA esfregue o nariz do seu cão no cocô ou perto dele para ensiná-lo a fazer sua sujeirinha no local correto. Porque esse método não é eficaz. Na cabeça do cão significa que ele precisa sumir com o cocô que acabou de fazer (no caso, comendo) — do contrário vai levar bronca;

Tédio: cães que se exercitam (física e mentalmente) menos do que deveriam tendem a ficar entediados e podem começar a comer fezes;

Chamar atenção: sempre que comem cocô eles conseguem algum tipo de atenção nossa, mesmo que negativa. Quando ele fizer isso, procure não exagerar na reação;

Associação inapropriada: alguns cães que se alimentam perto do local onde fazem cocô podem associar as fezes com comida, já que os cheiros ficam todos ali misturados.

O que fazer?

Agora que você já sabe quais as causas da coprofagia, o que fazer caso você veja que algum dos seus hóspedes está comendo cocô? Em primeiro lugar, pergunte ao tutor do cachorro se ele tem esse hábito e se ele já viu o cachorro fazer isso. Se ele disser que sim, o cãozinho costuma comer cocô, pode ficar mais tranquilo – pelo menos o tutor já sabe e provavelmente já investigou o por quê.

Mas se ele disser que não, pode ser que o cachorro esteja fazendo isso pelo estresse da hospedagem (convivência com outros cães, uma casa que não é a dele, ausência dos tutores, etc.) ou no início de alguma das doenças citadas acima, e é importante comunicar ao cliente esse comportamento.

Em qualquer situação, o cliente deve procurar ajuda, seja de um adestrador ou de um veterinário. Se o problema é causado por  estresse, o adestrador é a melhor opção para que eles, juntos, consigam identificar e modificar o que está acontecendo de forma incorreta – e, se possível, aumentar a quantidade de atividade física diária do pet.

Se o problema tem origem em alguma doença, o melhor a fazer é o cliente conversar e explicar tudo a um veterinário. Existem alguns produtos que podem ajudar, como os suplementos de probióticos, prebióticos, fibras, vitaminas e de enzimas digestivas. É fundamental, no entanto, que o cãozinho seja avaliado e faça alguns exames.

Escolhendo a melhor dieta

A alimentação de qualidade é essencial para combater e prevenir a coprofagia. O ideal é evitar fornecer rações muito baratas. Geralmente, elas possuem excesso de carboidratos e contêm proteínas de baixa qualidade na sua composição (que não serão bem aproveitadas e vão direto para as fezes). Juntas, essas duas características fazem o cocô ficar bem apetitoso para o cão e estimulam o hábito.

Uma boa opção ainda é a alimentação natural crua com ossos. Essa dieta tem excelente digestibilidade. O resultado é um cocô seco, com pouco volume e sem cheiro. Ou seja, não desperta interesse no cachorro. Mas é fundamental que você não tome essa decisão, e sim o cliente, após passar com um veterinário para garantir que todos os alimentos escolhidos são apropriados e nada vai prejudicar a saúde do cãozinho.

Mas comer cocô faz mal?

A coprofagia não é um hábito agradável para nós, mas também não deve ser motivo para desespero. Cachorros comem cocô e, por si só, comer cocô não é prejudicial. Mas é possível que alguns microrganismos, como vírus, bactérias e parasitas, sejam ingeridos quando o animal come os dejetos. E, dessa forma, o cachorro pode estar se reinfectando ou até adquirindo uma nova doença.

Mas, se o cão está livre de doenças infecciosas, é acompanhado por um veterinário e faz controle parasitológico de fezes com frequência, os riscos de recontaminação são mínimos. No caso de fezes alheias, se o cachorro que produziu as fezes é saudável e não possui parasitas e/ou outras doenças, também não oferece risco.

De qualquer forma, você deve evitar que os cães comam cocô durante a hospedagem. Você não sabe ao certo qual é a razão, se o cachorro está ou não contaminado com alguma coisa e se o cãozinho que fez o cocô está com a saúde realmente 100%.

Por isso, lembre-se de sempre confirmar se os hóspedes estão vermifugados, qual o histórico de saúde deles e supervisioná-los atentamente.

Fonte: veterinária DogHero Ingrid Stein