Confira alguns cuidados que são necessários para garantir a paz dentro de casa na chegada de bebês e cães 

Já é fato antigo que a convivência com cães melhora vários aspectos da nossa saúde. Mas a novidade aqui é outra: os nossos peludinhos também podem contribuir bastante para a melhora e proteção da saúde de crianças e bebês, produzindo benefícios que vão acompanhá-las a vida toda. O contato saudável com animais desde cedo faz com que o sistema imunológico das crianças se fortaleça e fique bem menos propenso a condições como alergias crônicas e até mesmo asma

Além disso, os peludos também proporcionam ótimas experiências para as crianças, desenvolvendo suas habilidades sociais e as ajudando a aprender como lidar com suas emoções. Para que tudo isso aconteça, os adultos precisam saber como integrar bebês e cães para que se deem bem desde o começo!


Um novo cachorro

Ao pensar em comprar ou adotar um cãozinho para sua família é sempre preciso considerar certos pontos. Eles incluem a idade das crianças da casa, a saúde delas, seu senso de responsabilidade, a rotina da família toda e os gastos envolvidos na criação de um bichinho de estimação.

Se vocês ainda não têm um cão é bom que a criança já tenha pelo menos domínio sobre sua coordenação motora e um bom grau de entendimento para saber que o peludo faz parte da família e deve ser tratado com respeito. Isso ocorre pela faixa entre quatro e cinco anos de idade, e é fundamental para que a relação entre eles dê certo — se o cão não se sente seguro perto da criança, ele pode ter reações de defesa.

O oposto também ocorre: as crianças podem se sentir frustradas e bravas se o cão não obedecê-las ou morder algo delas, e podem tentar bater nele. Por isso é importante que elas estejam em idade em que já entendam que outros seres também sentem e não devem, sob hipótese alguma, serem maltratados.

Sobre a saúde dos pequenos, como já mencionamos a convivência com cães pode prevenir e melhorar alergias e asma. Um levantamento da USP também apontou menor ocorrência de rinite alérgica, resfriados, dores de cabeça e dermatites em crianças com animais. O único motivo de saúde para não ter um cão seria se a criança tem alergia especificamente ao pelo dele. Nesse caso é sempre bom consultar um médico para conversar sobre o que pode ser feito.

A participação dos filhos no cuidado do cão também deve ser pensada. Crianças só conseguem realizar atividades como passear, dar comida e ajudar na limpeza do peludo a partir da faixa dos oito anos de idade. E mesmo com as crianças ajudando, a responsabilidade de garantir que tudo está feito da forma certa é sempre do adulto, ok?

Além disso tudo, também pense no bem do animalzinho que está chegando. Ele terá companhia ou vai ficar sozinho em casa na maior parte do dia? Sua família tem tempo na rotina para brincar com ele e dar toda atenção necessária?  Estão preparados para todos os gastos que isso envolve (ração, vacinas, veterinário, banho e tosa, hospedagem durante as viagens dos donos, etc)? As crianças estão prontas para conviverem bem e amarem outro ser vivo tão carente de atenção e companhia?

Ter um cão em casa significa se comprometer a dar tudo que ele precisa para ter uma vida plena, feliz e saudável. Se para isso acontecer for necessário esperar mais alguns anos, então tudo bem! Assim você terá certeza que, quando o peludo chegar na família, será para adicionar um novo membro que vai proporcionar todo o amor do mundo para você e seus filhos. A presença deles diminui os níveis de stress, aumenta os de alegria — e de quebra as crianças ganham um melhor amigo incondicional e pra vida toda!


Uma nova criança

Descobriu que seu cão vai ser o irmão mais velho? Então é melhor você já começar a tomar providências para que ele aceite bem a chegada do bebê e que eles virem melhores amigos o quanto antes! A chave para que dê tudo certo é a mudança gradual.

Seu peludo não pode associar o bebê a coisas negativas. Então por exemplo, se ele não vai continuar tendo acesso a todos os cômodos que ele tem hoje, comece a limitar o acesso dele aos poucos assim que a gravidez for descoberta e só permita a entrada dele com a sua presença. Quanto antes o cão se acostumar com a mudança de rotina melhor, assim ele não vai achar que tudo mudou só pelo bebê.

Conforme o quarto do bebê for montado, deixe que seu peludo fareje e conheça o ambiente (sempre com sua presença). Os cães costumam sentir que há algo diferente na mãe deles, então também deixe que ele se aproxime da barriga e cheire. Altere aos poucos os horários de comida e passeios dele para os que serão quando o bebê nascer. Continue demonstrando afeto e carinho pelo seu cãozinho, para ele saber que essas mudanças não significam que ele não é mais amado.

Depois que seu filho nascer mas ainda estiver na maternidade peça que alguém leve panos que tenham o cheiro do bebê para o cão. Deixo-o cheirar bem e se acostumar, você pode até deixar o paninho perto de lugares que ele gosta (como perto do pote de comida) e onde se sente seguro (como sua caminha). Assim, ele vai começar a associar o cheiro do bebê a coisas prazerosas e boas.

Garanta que seu cãozinho estará com as vacinas e antipulgas em dia quando o bebê chegar em casa, e também permita que o fareje e se aproxime dele. Tenha calma e faça a aproximação de forma tranquila e também gradual, e nunca deixe-os sozinhos para evitar qualquer acidente. E uma das coisas mais importantes: inclua seu peludo amado na rotina do bebê. Quando estiver cuidando, brincando e alimentando o bebê, deixe que o cão fique perto e esteja junto; você também pode conversar com ele nessas horas para que ele saiba que continua incluído na família.

Com o tempo, a nova rotina vai se estabelecendo e seu filho canino se acostuma a dividir as atenções com o novo irmão. Se todo o processo for feito com calma e tranquilidade, logo ele vai a-do-rar ter um bebê por perto para ajudar a cuidar e encher de amor — do jeitinho que só os cachorros conseguem fazer com a gente!


Eles brigaram! E agora?

Se seu cão e seu filho se desentenderam e rolou uma mordida, não quer dizer que o amor acabou. Antes de tomar qualquer atitude, limpe bem a ferida da criança com água corrente e sabão. É bom levá-la ao hospital para verificar com o médico se vai haver necessidade de alguma medicação ou de tomar alguma providência com relação à prevenção de raiva e infecções — mais um motivo pelo qual é essencial manter a saúde de são cãozinho em dia.

Tente entender o que aconteceu. Se você desviou o olhar por segundos, seu filho pode ter feito algo que representasse uma ameaça ao cão. Mexer nas vasilhas de água e comida, nos brinquedos do cão, na cama… É aí que mora a importância de ensinar seu filho a respeitar o espaço e objetos do cão, assim como há coisas na casa que o próprio cãozinho não pode pegar. Eles são seres vivos e que precisam desse respeito para todos conviverem em paz.

Depois de conversar com a criança e explicar onde ela errou, não tente fazer com que eles se aproximem imediatamente depois do acontecido. Dê um tempo para que os dois se tranquilizem, e só tente a aproximação quando o clima estiver leve: brinque com o cão e deixe a criança participar, e aos poucos deixe que brinquem entre eles.

Mas mais do que nunca, preste atenção e fique de olho nos dois quando estiverem juntos. Não deixe a criança sozinha com o peludo, até para orientá-la se você vir que ela está fazendo algo que pode irritar o cãozinho. Observá-los bem e interromper brincadeiras que possam acabar mal vai garantir que reatem a amizade com sucesso. Mas, caso você repare que o cachorro continua agressivo com a criança, procure o serviço de um especialista em comportamento canino.

Fonte: Crescer, Casa do Brincar, Guia do BebêCão Cidadão e Veterinária DogHero Ingrid Stein.

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